Artist Showcase: Rita Ventura

This Artist Showcase comes from Portuguese artist Rita Ventura, who starts each piece without rationalization – a few spots on the page, and then a wait to see what emerges. Is the figure happy, sad, anxious, is it a creature rather than a person? Find out more about her unique universe below.

Rita has responded to the questions in both English and Portuguese. 


romulaeremo

Romula e Remo

When did your interest in art/creating begin?

As a child, I never liked to play with dolls. Although everybody around me insisted and offered me several –  and their only movement was to open and close their eyes, which were made of expressionless glass, I never took any pleasure or teaching from them. On the contrary, the best gift I could get was a box of paints, pens, pencils, and anything else that could stimulate my imagination.

At the age of three I entered the Lycée Français Charles Lepierre, whose curriculum included fine arts, and won my first painting prize at the age of five.

[Desde pequena nunca gostei de brincar com bonecas. Apesar de insistirem e de me terem oferecido várias, cuja única habilidade era abrirem e fecharem os olhos, feitos de vidro inexpressivo, nunca delas retirei qualquer prazer ou ensinamento. Pelo contrário, o melhor presente que me podiam dar era uma caixa de tintas, canetas, lápis e tudo que pudesse me estimular a imaginação.

Aos três anos ingressei no Lycée Français Charles Lepierre, cujo ensino promovia as artes plásticas, e aí ganhei o meu primeiro prémio de pintura aos cinco anos.]

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Pig Love

What is your starting point for each piece?

As a rule, my starting point is not thinking about anything, not rationalizing. I do not start with any previous studies or drawings. I choose a color that pleases me and I start by making a few random spots. Then I look at them and start discovering shapes, people or animals, causing them to ‘pop out.’ Only when I draw their eyes, I can tell by their expressions that they are trying to say something. Some are angry or evil, others play and laugh, but they all seem to interact. I am only the vehicle for them to tell their stories or concerns. Almost always very subtle and ironic, which amuses me a lot.

[Por regra, o meu ponto de partida é não pensar em nada, não racionalizar. Não faço estudos prévios, nem desenhos. Escolho uma cor que me agrade e começo por fazer umas manchas de forma aleatória. Depois olho para elas e começo a descobrir formas, pessoas ou bichos, fazendo-os “saírem cá para fora”. Só quando lhes desenho os olhos, percebo pelas suas expressões que estão a querer dizer algo. Alguns estão zangados ou são perversos, outros brincam e riem, mas todos parecem interagir. Apenas sou o veículo para que eles contem as suas histórias ou inquietações. Quase sempre de forma muito subtil e irónica, o que me diverte muito.]

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Mulher Traçada

Who/what influences your work?

All that surrounds me, the environment, society in general, injustices, indignation in the face of moral or social problems (especially in the feminine universe) serves for my characters to highlight or to denounce current situations.

[Tudo aquilo que me rodeia, o ambiente, a sociedade em geral, as injustiças, a indignação face a problemas morais ou sociais (sobretudo no universo feminino) serve para os meus personagens alertarem ou denunciarem situações actuais.]

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Mulher Com Cao Azul

What do you hope the viewer gets from your work?

It is very gratifying for me that people identify with my universe. A universe that makes you think or try to figure out what message I’m conveying.

Since language is not always direct (I like the nuances of the not so obvious), I find it very interesting that each person has his own reading, even if it is diametrically opposed. In fact, that’s what makes my pictures dynamic.

[É muito gratificante para mim que as pessoas se identifiquem no meu universo. Um universo que as faça pensar ou tentar descobrir que mensagem estou a passar.

Como a linguagem nem sempre é directa (agrada-me as nuances do não óbvio), acho muito interessante que cada pessoa tenha a sua própria leitura, mesmo que ela seja diametralmente oposta. Na verdade, é isso que torna os meus quadros dinâmicos.]

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Europe

What do you think about the term outsider art? Is there a term that you think works better?

There has always been controversy surrounding the exact definition of Outsider Art. This has been happening since the awareness of the phenomenon. (As an English synonym for art brut Jean Dubuffet along with others, including Andre Breton, formed the Compagnie de l’Art Brut in 1948).

I think at the moment this term no longer makes sense only to refer to those who suffer from mental illness, isolation, those who are self-taught, or those who create compulsively and without rules.

In fact, I identify more with the term ‘intuitive artists’ or ‘intuitive art.’ Art produced by creators free from the influence of official styles, including the various vanguards, or the impositions of the art market. Often these artists produce in a very short time, difficult and complex works, often of great quality, never responding to the official art powers that be nor obeying previous studies (rough sketches, drawings, great reflections, etc.).

[Sempre houve controvérsia em torno da definição exacta de Outsider Art. Isso acontece desde que há consciência do fenómeno. (as an English synonym for art brut Jean Dubuffet Together with others, including Andre Breton, he formed the Compagnie de l’Art Brut in 1948 ).

Penso que actualmente esse termo deixou de fazer sentido apenas para referenciar aqueles que sofrem de doenças mentais, de isolamento, autodidatas que criam compulsivamente e sem regras .

Na verdade, identifico-me mais com o termo “artistas intuitivos” ou “arte intuitiva”. Uma arte produzida por criadores livres da influência de estilos oficiais, incluindo as diversas vanguardas, ou das imposições do mercado de arte. É frequente esses artistas produzirem em tempo muito curto, obras fortes e complexas, muitas vezes de grande qualidade, não respondendo nunca a canônes da arte oficial nem obedecendo a estudos prévios (esquissos, esboços, grandes reflexões, etc).]

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Emocional Inteligence

What are you working on at the moment?

My job now is to explore mixed techniques on less noble supports, such as wrapping paper, crafts, etc.

Since I am impatient and afraid that my characters will run away, I like more and more to use fast and definitive materials. Often, instead of brushes, I turn to instruments invented by me where I make my cocktails of paints. I like the unpredictability of joining materials. There is a bit of magic or alchemy in the middle of it all…

[O meu trabalho consiste agora em explorar técnicas mistas em suportes menos nobres, tais como papel de embrulho, crafts, etc.

Como sou impaciente e tenho receio que os meus personagens fujam, gosto cada vez mais de materiais rápidos e definitivos. Muitas vezes, em vez de pincéis, recorro a instrumentos inventados por mim onde faço os meus cocktails de tintas. Agrada-me a imprevisibilidade da junção de materiais. Há um pouco de magia ou alquimia no meio de tudo isto…]

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Brinquedo a Pilhas

Where do you see your work taking you in the future?

Where my work will take me in the future is unknown, but I hope I can continue to paint or create. That’s what gives me pleasure and peace. But also an uneasiness to rediscover myself more each time.

Just as I do not question the color of my skin, I also do not question the fact that I am a plastic artist and where it can lead me. It was not a choice but an acceptance of an often unforeseeable life. Whether this is comfortable or not, especially in the country where I live, where Outsider Art is not much publicized or valued, is another question. Luckily nowadays, with globalization, there are no longer insurmountable barriers and blogs like this can be a good window of opportunity.

But what would life be without this risk and the ability to reverse it when it suits us? For many it will be insecurity. For me it’s called Freedom.

[Onde o me trabalho me levará no futuro é uma incógnita, mas espero conseguir continuar sempre a pintar ou a criar. É isso que me dá prazer e paz. Mas também uma inquietação de me redescobrir cada vez mais.

Assim como não questiono a cor da minha pele, também não questiono o facto de ser artista plástica e onde isso me pode levar. Não se tratou de uma escolha, mas sim da aceitação de uma vida frequentemente imprevisível. Se isso é ou não confortável, sobretudo no país em que vivo, em que a Outsider Art não é muito divulgada nem valorizada, já é outra questão. Felizmente que hoje em dia, com a globalização, já não existem barreiras intransponíveis e blogues como este podem ser uma boa janela de oportunidades.

Mas o que seria a vida sem este risco e a capacidade de a reverter quando isso nos aprouver? Para muitos será a insegurança. Para mim chama-se Liberdade.]

almasgemeas

Almas Gemeas


Click here to see more of Rita’s work

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8 thoughts on “Artist Showcase: Rita Ventura

  1. Sofia Calheiros says:

    I’ll keep following you & your painting. Always surpried by the way you’ve choosed to express yourself. Thanks for sharing your art

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